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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Bell Marques dá entrevista ao Terra e fala: sempre serei ‘chicleteiro’



Com cerca de 8 milhões de CDs vendidos, mais de 100 shows por ano e mais de 30 carnavais de experiência, Bell Marques se diz ansioso com a próxima vez em que subirá no trio elétrico. O motivo é simples: este será seu primeiro Carnaval sem o Chiclete com Banana, a banda que arrasta fãs e fanáticos há décadas na capital baiana.
A rigor, sua carreira solo começou na terça-feira da folia do ano passado. Mas Bell teve os dias anteriores do Carnaval para o público despedir-se deles. Em 2015, porém, o cantor e compositor não terá mais ao seu lado os velhos companheiros (incluindo dois irmãos).
Em entrevista exclusiva ao canal “Atrás do Trio Elétrico”, do site Terra, o cantor, um dos nomes mais concorridos do Carnaval baiano, fala de seu sentimento em relação à nova experiência. Também faz um balanço do primeiro ano de carreira solo e faz uma declaração de amor à banda que liderou por 30 anos: “sempre serei ‘chicleteiro”. Leia abaixo.


Terra: No Carnaval de 2014, você fez o último show com o Chiclete e o primeiro da carreira solo. Em 2015, será o primeiro Carnaval em que você vai se apresentar sem o Chiclete. Qual a sua expectativa?

Bell: Estou muito ansioso e animado. Vai ser um Carnaval bem diferente pra mim. Sei que as pessoas estarão me avaliando, acompanhando o repertório, o meu discurso. Muitas pessoas vão querer entender o que mudou e se mudou realmente.

Terra: Em 2014, você iniciou começou o show solo cantando “Ave Maria”. Preparou algo diferente para abrir o Carnaval este ano?
Bell: Aquele momento foi muito bacana. Meu primeiro acorde em carreira solo na frente do Farol da Barra foi abençoado e vai sempre ficar na minha memória e, tenho certeza, na de muitos foliões. Este ano, o repertório vai ser uma grande coletânea de sucessos da minha carreira. Vou relembrar a minha história, a minha trajetória, desde os tempos do Chiclete com Banana, com canções que foram eternizadas na minha voz, até hoje, com sucessos como ‘Voltei’ e ‘Vumbora Vumbora’.

Terra: Você se acostumou por muitos anos a subir no trio elétrico com o Chiclete com Banana. O que muda na hora de comandar a festa agora que você é um artista solo?
Bell: O cantor, por estar ali na frente, com o poder da voz, acaba, naturalmente, assumindo o controle das coisas em cima do trio. Então, nesse sentido não muda muito. Mudam as companhias. Vivi muitas histórias bacanas com meus irmãos e colegas do Chiclete. Sinto falta, claro, mas continuo bem acompanhado por uma big band maravilhosa.

Terra: Você completa 63 anos em 2015 e vai se apresentar em Salvador de sexta até a terça-feira de Carnaval. Qual é o segredo para manter todo aquele pique em cima do trio elétrico por todos esses dias? Você faz alguma preparação especial antes do Carnaval?
Bell: A preparação, na verdade, é o ano todo. Já fiz mais de 100 shows em carreira solo e, para dar conta da correria, tenho que estar em forma, preciso me alimentar adequadamente. Já chego no Carnaval preparado. Se não, não teria como aguentar.


Terra: O bloco Nana Banana, do Chiclete, está programado para sair em horários similares aos do seu bloco, o Vumbora. Como vai ser esta concorrência com sua antiga banda? Isso incomoda de alguma forma?

Bell: Não incomoda de forma alguma. Sempre torci e sempre torcerei pelo Chiclete com Banana. Minha história se mistura com a da banda e sempre serei ‘chicleteiro’. Tenho certeza de que eles farão um Carnaval muito bacana.


Terra: No último Carnaval, você mesclou sucessos do Chiclete com as músicas da sua carreira solo. Em 2015, o público pode esperar algo parecido ou você pretende se focar mais nas suas novas músicas?

Bell: Mesmo que eu já tivesse construído um repertório solo grande o suficiente, jamais deixaria de tocar músicas do Chiclete com Banana. Muitas são composições minhas, inclusive, eternizadas, como disse, na minha voz. Fazem parte da minha história e jamais negaria esse passado, do qual tenho muito orgulho.


Terra: Qual o balanço que você faz deste primeiro ano como artista solo? O que mudou?

Bell: Foi um ano desafiador. Me sinto muito sortudo de poder recomeçar, ou de pelo menos me sentir como num recomeço, nesse estágio da minha carreira e ter liberdade para tomar decisões e experimentar novidades no palco.


Terra: Existe algo de que você sinta falta da época do Chiclete?

Bell: Sem dúvida, das pessoas. Sempre fomos uma família, literalmente. Dois irmãos meus fazem parte da banda e estávamos sempre juntos. Vivemos muitas histórias bacanas.

Terra:No último Carnaval você recebeu no trio elétrico participações especiais como a de Valesca Popozuda. Tem alguma surpresa para este ano?
Bell: Carnaval é uma surpresa atrás da outra. No percurso do Vumbora, ano passado, também recebi Solange e Xand do “Aviões do Forró”, cantei com Gilberto Gil, Brown, Margareth e recebi uma linda homenagem de Daniela Mercury. É sempre assim, tudo acontece, nada é combinado. Este ano, a mesma coisa. A gente sempre fala com um amigo ou outro, mas Carnaval é complicado pra todo mundo, então, tudo pode acontecer.


Fonte: Diversao.terra.com.br


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domingo, 2 de fevereiro de 2014

O domingo do Camaleão


O Chicleteiro que já teve a sorte de passar um carnaval em Salvador sabe a magia que é curtir esses seis dias com a banda no lugar onde tudo começou, é algo totalmente inexplicável. Porém, entre esses seis dias tem um que é mais especial ainda, o mais aguardado entre os fãs da banda. Esse dia é o domingo. 
Para tentar explicar um pouco a magia do domingo de carnaval, o Pedro Lanza e o Ronaldo Cesário escreveram um belíssimo texto, que vocês podem conferir abaixo.


"O Camaleão Domingo!
Domingo sem dúvida é um dos dias mais aguardados do Carnaval de Salvador, principalmente pelos Chicleteiros, por um simples motivo é o primeiro dia de desfile do maior e melhor bloco do carnaval baiano, o Camaleão, que há mais de 20 anos é puxado pela mais importante banda do axé music, o Chiclete com Banana, quem em 2014 terá seu último Carnaval liderado por Bell Marques, que para tristeza de todos os Chicleteiros anunciou que parte em carreira solo.
O local é o Farol da Barra, marco inicial do circuito Barra-Ondina, abençoado pelas águas do mar da Bahia. Alguns foliões mais antigos na festa baiana pensam ‘sou da época que o Camaleão só desfilava na Avenida, lá é a verdadeira casa do bloco’, isso é uma verdade, mas desde 2008 o Camaleão pisa a patinha na areia e desfila sua alegria pela Avenida Oceânica até chegar em Ondina, em um dos momentos mais animados e agitados do Carnaval.
O relógio marca 15:35, a meia-hora rotineira destinada à concentração dos foliões já acabou, o bloco está 5 minutos atrasado, os foliões já estão apreensivos para escutar os primeiros acordes de sua banda preferida. Conversas sobre o repertório que a banda vai apresentar pipocam por todos os lados, aquela velha e difícil pergunta surge ‘Qual a sua música do Chiclete?’ Alguns optam pelas músicas mais românticas que embalaram momentos de amor pelas micaretas do Brasil, outros optam pelas músicas com a batida mais característica da banda, forte e que leva os foliões ao verdadeiro êxtase quando executadas.
O sol a pino e o calor de 43ºc faz o suor descer no rosto, um gole na vodca alivia o frio na barriga, vendedores ambulantes de cerveja, ice, água e refrigerante surgem de todos os lados, a tradicional negociação do preço das latinhas acontece, a movimentação financeira em um dia de Camaleão é impressionante.
Alguns podem se enganar ao pensar que o rosto dos foliões aparentam cansaço, na verdade o sentimento que reflete o momento é a ansiedade, ansiedade minha , da mulher amada que está ao lado, daquela que vai se tornar amada durante o bloco ao som das baladas românticas ecoadas na voz de Bell, enfim de todos os foliões presentes.
Todos estão olhando pra cima, com olhares voltados em direção ao Rex, aquele que é chamado pela banda de Predador da Tristeza, que finca verdadeiras garras em solo baiano para levar contagiante alegria a todos e é lá que está presente o líder desse movimento, Bell Marques, que concentrado da maneira que o momento exige afina sua Guitarra, aquela dourada!
A multidão de foliões dos outros blocos olham perplexos para os "camaleões", é difícil que alguém de fora entenda o significado desse momento para essa legião de apaixonados. Um folião de primeira viagem questiona: ‘’o que esse bloco tem de diferente de todos os outros do Carnaval?’’ e de pronto obtém a resposta de seu amigo que não desvia seu olhar de Bell Marques: 
- O Camaleão é o Bloco do Chiclete com Banana.
Sim, o Camaleão é o Bloco do Chiclete, é onde a banda se sente mais à vontade, mais em casa, e não é pra menos, são 23 anos da maior parceria do Carnaval baiano. É claro que o Nana tem história, é claro que o Voa Voa tem história, mas é no Camaleão que o verdadeiro Chiclete com Banana é encontrado, é ali que a interação entre músicos e chicleteiros émais forte, esse é o bloco mais esperado por todos durante o ano que separa os carnavais.


São Chicleteiros fanáticos que percorrem o Brasil inteiro atrás de shows do Chiclete, atrás do som da percussão de Deny e Waltinho, atrás de um sorriso do sempre simpático Lelo, atrás de um alô de Wadinho, de uma foto com o batera Walmar que teve a importante missão de substituir um dos ícones da banda, o sempre presente Rey e atrás de qualquer gesto que venha de Bell.
É nesse momento que todos escutam a voz do sempre fechado Wilson dizendo para que os ‘Olho Vivo’ assumam posições pois o bloco vai sair e o Camaleão quando começa seu desfile faz o chão da Bahia tremer. O famoso Grito do Rex, um toque na guitarra, os braços de todos automaticamente se levantam, lágrimas escorrem por todos os lados, gritos de êxtase ecoam, o Camaleão começou.
Nas palavras mágicas de Wadinho: ‘Chicleteiros do Brasil!!!! Chegou a nossa hora, o Camaleao quer ouvir vocês cantarem, o Camaleão quer ver vocês pularem e o Camaleão quer ver vocês felizes, o Camaleão quer ver vocês se amarem!! Abram um sorriso, sintam o coração e gritem bem alto “Sou Camaleão”!! Bell agradece a todos àqueles que fizerem que o bloco se tornasse a paixão de todos. BOAAA SORTE CAMALEÃO, BOA SORTE BAIANOS ESPECIAIS, BOA SORTE PARA O MUNDO INTEIRO!!!
O Camaleão pisa na avenida, o Camaleão vai ser inesquecível, o Camaleão vai ser como sempre insuperável e o Camaleão vai ser sempre o Camaleão!!!
Ê o amor O camaleão se apaixonou”
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